“Em parte alguma os «políticos» formam um destacamento da nação mais separado e mais poderoso do que precisamente na América do Norte. Ali, cada um dos dois grandes partidos aos quais cabe alternadamente a dominação é ele próprio governado por pessoas que fazem da política um negócio, que especulam com lugares nas assembleias legislativas da União e de cada um dos Estados, ou que vivem da agitação para o seu partido e são, após a vitória deste, recompensados com cargos. É sabido que os americanos procuram, desde há trinta anos, sacudir este jugo tornado insuportável e que, apesar de tudo, se atolam sempre mais fundo nesse pântano da corrupção. É precisamente na América que podemos ver melhor como se processa esta autonomização do poder de Estado face à sociedade, quando originalmente estava destinado a ser mero instrumento desta. Não existe ali uma dinastia, uma nobreza, um exército permanente — excetuados os poucos homens para a vigilância dos índios — nem burocracia com emprego fixo ou direito à reforma. E, não obstante, temos ali dois grandes bandos de especuladores políticos que, revezando-se, tomam conta do poder de Estado e o exploram com os meios mais corruptos para os fins mais corruptos — e a nação é impotente contra estes dois grandes cartéis de políticos pretensamente ao seu serviço, mas que na realidade a dominam e saqueiam.”
"Fragmentos introspectivos para ver e mostrar o nunca visto, a mídia alternativa, o velho e o novo, o feio e o bonito, registro de tempo... opinião registrada de quem tem voz ativa e diz o que pensa, para insanamente, correr o risco de ser lesado em meus direitos autorais"
20 Julho, 2011
Cartéis políticos
Em março de 1891, no prefácio de nova edição da “Guerra Civil em França”, Engels faz uma análise - com distanciamento de duas décadas – da Comuna de Paris. Aproveita para classificar os políticos de Tio Sam no final do século 19. Será que aconteceu mudança substancial no decorrer desses 120 anos? A descrição lembra Brasília dos últimos meses:
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